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Epona

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1 Epona em Qua Jul 03, 2013 3:55 am

Epona
Deusa Celta dos cavalos, da vida e da Natureza

Quem é Epona? A primeira coisa que nos vem à cabeça é que é a Deusa Celta patrona dos cavalos e, de seguida, visualizamo-la montada de lado num cavalo, tal como é representada em várias estátuas. Também a conhecemos pela sua relação com a fertilidade pois é várias vezes representada com uma cornucópia. Este é o conhecimento mais geral que temos dela, mas é certo que não é muita nem precisa a informação que circula acerca de Epona. Vamos então mergulhar mais fundo na história, no tempo e vamos procurar Epona “aquela que é como uma égua”.
Ainda que o nome Epona seja galês, não se encontram registos nem menções a esta Deusa Celta nesse idioma, mas sim em latim e, em sua maioria, apenas com algumas menções a ela em grego. Podemos encontrá-la em forma de pegada arqueológica ao longo da Europa, desde Hungria, Bulgária, Suíça, França, Ilhas Britânicas, Espanha, Itália…
Nomeadamente, em todo o Império Romano, centrando o seu culto nas Três Gálias, porém sabe-se que efetivamente já era adorada pelos Galeses antes do ano 52 a.C. antes da conquista romana. Como costuma acontecer com outros deuses no império, esta é mencionada em várias pedras erguidas (estelas) em templos, em forma de estatueta e em inscrições de altares. Há que admitir que apesar de lógico, é de surpreender a grande relação da Deusa com diferentes ordens militares romanas.
Há uma grande lista de Unidades militares romanas das quais existem provas que estavam dedicadas a Epona segundo inscrições de estelas: 7 Legiões Romanas, 6 Auxiliares, uma delas formadas exclusivamente por membros das diferentes tribos das províncias de Hispânia Cohors Primae Hispanorum equitata e terminando com a mais numerosa em termos de unidades, 11, dedicadas à Deusa, A Guarda Imperial a Cavalo. Ao que parece, foi a guarda Imperial que mais difundiu o culto a Epona ao longo do Império Romano.
Ao procurar por Epona na literatura, encontra-se nos escritos de vários clássicos, como Juvenal, Apuleius, Prudentius e Fulgentius. Como se pode ler num excerto de Apotheosis de Prudentius: “Nemo Cloacinae aut Eponae super astra deabus dat solium, quamuis olidam persoluat acerram sacrilegisque molam manibus rimetur et exta”. Que seria traduzido como “Ninguém oferece um trono sobre as estrelas às Deusas Cloacina ou Epona, ainda que abram caixas de incenso oleoso e investiguem com as suas mãos sacrílegas os grãos e as entranhas”
Nos tempos modernos era realmente difícil encontrar menções à Deusa Epona a não ser em estudos sobre a Religião Galesa e Romana. Encontram-se alguns artigos onde é mencionada em inglês. Em espanhol encontra-se o seguinte artigo publicado no ano 1970: “um possível culto a Epona na província de Alava (Juan Carlos Elorza Guinea, Estudios de Arqueología Alavesa, ISSN 0425-3507, nº 4, 1970, págs. 275-281.)
É ainda de mencionar que o francês é o idioma moderno em que mais se escreveu sobre Epona, sendo a obre de Salomon Reinach “Épona”, Revue archéologique do ano 1895. Sobre o seu culto já foi visto que está relacionado com a dependência aos cavalos ou pessoas relacionadas com equinos.
Como sabemos, no Império Romano foram adotadas as divindades e eram adoradas como qualquer divindade romana, erigindo-se templos, altares e fazendo devoções, sacrifícios, etc. Foram encontrados restos e estatuetas devocionais, nos altares e nas casas, feitos de argila ou de materiais mais nobres nos locais mais ricos, o que confirma a rápida aceitação da divindade pelos lares romanos.
Outro sitio onde se encontram provas de um culto a Epona é nos estábulos, tanto públicos como familiares, onde se menciona que existiriam altares à deusa para que protegesse os cavalos, havendo também menções de pinturas dedicadas à deusa nas paredes dos mesmos.
Na literatura faz-se menção às oferendas de rosas a Epona, em altares, sendo que era sacrilégio roubar as flores da deusa.
Foram encontrados restos arqueológicos e menções sobre a associação de Epona a outras divindades no culto, chegando até a partilhar a mesma dedicação. Alguns destes deuses são Hermes, Isis, Júpiter, Marte, Minerva, Campestre, Apolo, Diana, Juno, entre outros, tanto dentro como fora do Império Romano, onde era relacionada com divindades locais.
Dentro destas associações, talvez a mais marcante, ainda que posterior, é a ocorrida nas Ilhas Britânicas, passando a ser a Macha na Irlanda e Rhiannon em Gales.
Ainda que não tenha sido uma Deusa Mãe no sentido da palavra, o seu aspeto de fertilidade fazia-a ser uma deusa a venerar, o que também a associava à lua e à criatividade. Em vários locais da Europa contava-se que Epona tinha o poder de se transformar numa potra branca e que podia aparecer aos humanos nesta forma, especialmente aos viajantes.
Neste ponto não se pode pôr de parte o animal que se dizia ao serviço da Deusa Epona: Os Kelpie. Os Kelpie tinham a aparência de um cavalo. Em alguns textos é dito que era meio peixe meio cavalo, algo como um cavalo-marinho, mas na sua maioria, as histórias descrevem-nos como um belo corcel branco ou negro que aparece aos humanos de maneira tentadora perto de lagos, oferecendo a sua garupa. O belo animal, uma vez com a pessoa em cima, precipitava-se para um lago onde afoga e devora o desafortunado que ousa subir-lhe para cima. Conta-se que Epona também estava associada à custódia das chaves do mundo dos espíritos e que os Kelpies se encarregavam de arrastas os barcos com as almas de falecidos até ao outro mundo e que usavam os lagos como porta de entrada. De qualquer forma, ainda que fosse um animal um pouco assustador, estava também sobre a proteção de Epona.
Diz-se que Epona andava acompanhada por três aves do outro mundo, que teriam a habilidade de devolver a vida após a morte, de sarar a dor e a tristeza. As aves têm sido associadas a outras divindades e ao mundo dos espíritos, pelo que aqui podem sugerir uma relação da deusa com um aspeto tríplice.
Parece haver pistas muito claras, tais como por vezes ser representada com chaves; assim como a relação com as aves que são seres do céu; a sua relação com as almas do outros mundo e o mundo subterrâneo; também a sua relação com as águas, os caminhos e a lua; o que faz pensar que ao ser implantada no panteão romano, Epona terá herdado algumas qualidades de Hekate, outra deusa também adotada pelo Império.
Com a queda do Império Romano, o culto a Epona também começou a decair e, com a chegada da religião cristã, esta foi absorvida pela igreja, tal como Brigida. Como foi visto, há muito mais por trás de Epona do que simplesmente cavalos e que por alguma razão ganhou o título de “Rigatona”, grande rainha entre os britânicos, titulo que também foi herdado posteriormente por Rhiannon. Por isso, Epona tem de ser tratada com as honras de uma grande Deusa Galesa que conquistou o Império.


texto retirado e traduzido da revista Nº 6 "Ser Pagano": http://issuu.com/serpagano/docs/serpagano_n__6

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2 Re: Epona em Qua Jul 03, 2013 1:36 pm

Obrigada, Epona e uma das deusas que gosto mais n só porque adoro cavalos desde que nasci, mas também porque o panteão celta e o meu favorito!
E e difícil encontrarcoisas sobre esta deusa obrigada muito obrigada por teres o trabalho de pores aqui...
Quando estava a ler lembrei-me de uma égua que havia perto da minha casa quando tinha 3 anos, que me deixava monta-la era a única que n tinha medo das crianças.....

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3 Re: Epona em Dom Out 06, 2013 9:23 pm

Aredhel

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