Forum Mundo Verde
Bem-vindo(a) ao fórum! ஃ Forum para amantes da Natureza, pagãos, wiccans e curiosos ஃ Participa! ☺


Você não está conectado. Conecte-se ou registre-se

Panteão celta - os deuses celtas (lista resumida)

Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Ir em baixo  Mensagem [Página 1 de 1]

Aredhel

avatar
Admin
Admin
Resolvi partilhar convosco a informação deste site: Clica-me

(Nota: esta é uma relação bem completa de algumas deidades do numeroso panteão celta, publicada originariamente pela ODB - Ordem Druídica do Brasil)

“Eis um catálogo de deidades celtas conhecidas. Em vários casos, a mesma deidade será citada em mais de um verbete, numa tentativa de incluir nomes conhecidos de todas as culturas celtas identificáveis. As informações são necessariamente resumidas; um relato completo sobre todas essas entidades decerto resultaria em um volume bem avantajado. Incluo em cada verbete as seguintes informações:
• Um nome (uma tradução, entre parênteses, do nome)
• a cultura onde esse nome aparece
• quaisquer epítetos ou alcunhas importantes associados ao Nome
e uma descrição básica de esferas de influência, atributos e/ou
histórias descritivas.

Robert Kaucher”

--------------

Aedh (fogo). (irlandês). Filho de Ler. É um senhor do Fogo, e pode
assim ser considerado um aspecto masculino de Brigit. É um dos filhos
de Ler que foi transformado em um cisne por uma madrasta malvada,
ver "Conn" para ler mais detalhes.

Aengus (belo jovem). (irlandês) Filho do Dagda. Ele "bolou" uma artimanha para ficar com a casa do pai, Bru Na Boine (Newgrange), dizendo que a queria emprestada por um ano e um dia. Acabado o período, o Dagda voltou, mas Angus lhe disse que um ano e um dia representa a eternidade, portanto, o sidhe (nome dado às colinas habitadas por deuses) era seu para sempre. Músico consumado e talentoso, é considerado Deus da Beleza e da perfeição da forma.

Aeron (carnificina). (galês). Deus da Guerra, aspecto masculino da
Morrigan irlandesa. É um correspondente posterior de Agrona, cultuado
anteriormente pelos britânicos.

Afagddu (escuridão absoluta). (galês). Filho problemático de
Ceridwen, cujo nome significa "Escuro" ou "Feio", a quem a Poção do
Conhecimento se destina. Esse arquétipo reaparece no ciclo arturiano
como um guerreiro mortal cuja feiúra sem par impede que um oponente
sequer o ataque, por medo de que ele possa ser o demônio.

Agrona (carnificina). (britânica) Deusa guerreira, aparentemente uma
versão da irlandesa Morrigan por também estar associada aos rios.
Mais tarde esse arquétipo se masculinizou entre os cymri, como Aeron.

Aife I (bela, agradável) Terceira esposa irlandesa de Ler, madrasta
malvada de Aedh, Conn, Fiachra e Finnguala, que os transforma em
cisnes num acesso de ciúmes (por não ter filhos). Depois que
descobriram seu ato, transformaram-na em abutre, condenado a ser
eternamente fustigado pelos ventos.

Aife II (agradável, bela). Amante irlandesa de Ilbrech. Transformada
em garça-azul por uma rival enciumada. Sob tal forma, como ave
aquática, torna-se parte do Reino de Manannan; quando afinal perece,
ele transforma seus restos no famoso Saco da Garça-Azul, no qual
armazena seus maiores tesouros.

Aine (claridade, brilho, esplendor, glória). (irlandesa). Deusa-Fada
do amor e do desejo, ela também é a Deus tutelar de Knockany,
Munster. Na realidade seu nome deriva da raiz de "fogo". Pode ser
considerada um aspecto de Brigit.

Ancamna. (gaulesa). Deusa conhecida em inscrições no vale do Mosela,
perto de Trier. Aparentemente reconhecida como Consorte de uma
divindade identificada pelos romanos como Marte (deus da guerra).

Andarta (gaulesa). Deusa continental obscura conhecida
por inscrições em Berna e no sul da França. Aparentemente é padroeira
da tribo Vocontii, e talvez corresponda ou seja um Aspecto de Artio.
Também pode ter conexão com Andrasta (ver abaixo).

Andrasta. (britânica). Deusa guerreira da tribo Iceni, que aceitava
sacrifícios de éguas e talvez humanos. Talvez seja melhor conhecida
como a deidade invocada pela rainha guerreira iceni Boudicca na sua
rebelião contra Roma. Ver também Andarta imediatamente acima, para
uma conexão continental.

Angus (escocês) Versão escocesa de Aengus, e também Deus do vigor
juvenil e da perfeição da forma. Grande parte da história desse Deus
gira em torno de conflitos com Cailleach Bheur, que tenta negar-lhe
sua consorte, Bride.

Arawn. (galês). Senhor de Annwn, um reino debaixo da terra. Faz um pacto com Pwyll para trocar de lugar com ele durante um ano para que Pwyll possa derrotar um inimigo, o Rei Hafgan. Embora Arawn não imponha condições para essa troca, quando o pacto foi concluído com êxito e cada um retornou a seu próprio lugar, Arawn descobriu que Pwyll havia negado por sua própria iniciativa os direitos de marido à esposa de Arawn. Assim, Arawn fez um voto eterno de amizade e apoio a Pwyll.

Arduinna. (gaulesa) Figura equivalente a Diana, Deusa padroeira da
região da floresta de Ardennes. Parece ser uma protetora particular
dos javalis, e é representada pelo menos uma vez montando um deles.
Costuma ser confundida com a Diana romana.

Arecurius (aquele que está diante da assembléia, legislador?)
(britânico) .Deus tutelar do norte da Bretanha durante a ocupação
romana.

Arianrhod (roda de prata). Galesa. Mãe de Llew. Sua história,
segundo a qual ela precisou ser enganada para conceder nome e
colo ao filho, é pilar de sustentação do Mabinogion. Associam-na à Noite, com a Estrela Polar, e diz-se que seu palácio é a Aurora Boreal. Como seu
nome pressupõe claramente, ela pode ser muito bem ser uma versão
posterior da Deusa Lua.

Artio (ursa). (gaulesa). Deusa dos Ursos, protetora das virtudes
ursinas. Estreitamente associada à cidade de Berna. Ver também
Andarta (acima).

Badb (corvo) (irlandesa). Um dos três aspectos de Morrigan.

Banbha (porco, porca). (irlandesa). Uma das componentes da trindade
de Deusas que são padroeiras de toda a Irlanda (ver também Eriu e
Fotla). Seu nome deriva da mesma raiz que "porca" ou "porco". Banbha
é esposa do rei Tuatha MacCuill.

Banghaisghidheach (... branco). (irlandês). Chefe dos gatos de
Kilkenny.

Belatucadros (cintilante, brilhante). (britânico). Aparentemente uma
primeira versão de Bran, o Abençoado, e claramente cognato de Beli.
Era cultuado por soldados comuns no norte da Grã-Bretanha durante a
ocupação romana.

Belenus (brilhante). (gaulês). A versão continental de Beli,
confundida por autores clássicos com Apolo.

Beli (brilhante). (galês). Irmão ou talvez precursor de Bran, o
Abençoado, e tido como pai de todos os Deuses em alguns ciclos. Bem
possivelmente é uma deidade solar dos tempos primordiais.

Bendigeidfran. (galês). Um equivalente Galês de Bran.

Blodeuedd (rosto de flor). (galês) Mulher criada por Math, feita de flores,
para ser esposa de Llew. A escolha foi infeliz, pois ela causou a
morte dele por apaixonar-se por outro. Por isso ela foi amaldiçoada
por Gwydion a ter eterna aversão pela luz do sol, e foi transformada
em coruja, uma ave aviltada e detestada por todos os outros pássaros.

Boand (aquela que tem gado branco) (irlandês). Esposa de Nechtain e
mãe de Aengus. É associada ao rio Boyne.

Bodb Dearg (irlandês). Filho de Daghda e Deus tutelar do sul de Connacht e uma parte de Munster.

Boudicca (vitória). (irlandesa/inglesa) Personificação da Vitória
especialmente no sentido marcial. Personificação bastante apropriada
dela se vê na Boadicca, que a história relata ter sido Rainha dos
Iceni, e que deteve o avanço romano combatendo-os até o primeiro
século da Era Atual. Embora ela tenha sido derrotada no final, essa Vitória
original faz lembrar muito sua homônima.

Bran (corvo, gralha) (irlandês) Senhor da Ilha Britânica, é um Deus-
caldeirão, associado a um caldeirão de regeneração que reviveria os
assassinados embora não lhes permitisse falar. Tendo sido o
caldeirão destruído e Bran mortalmente ferido em uma guerra para
salvar a irmã, Branwen, ele instruiu seus seguidores a decapitá-lo e,
depois de muitas viagens, levar a cabeça a Londres e queimá-la, onde
se tornaria defesa e proteção para toda a ilha.

Branwen (gralha branca, corvo branco). (galês). No Mabinogion, é a
figura central por casar-se com o Grande Rei da Irlanda e portanto
traçar o destino dos irlandeses e bretões, quando o irmão, Bran,
invade a Irlanda para salvá-la da degradação que ela sofre nas mãos
de uma família real vingativa.

Breas. (irlandês). Deidade solar e administrador durante algum tempo
da Tuatha de Danaan. Substituindo Nuada, depois de ele ter perdido a
mão, Breas se notabilizou por sua crueldade e governo arbitrário. Foi
destronado depois de atacado por uma acusação particularmente
sarcástica de um bardo chamado Cairbre.

Brianan (escocês). Figura bastante obscura, aparentemente uma
Deidade cujo nome é usado em juramentos e interjeições,
freqüentemente como força de invocação com a qual se pode desejar
sorte (às vezes boa, mas em geral má) a uma pessoa.

Bride (escocês). Consorte de Angus, variante escocesa de Brigit.

Brigit (exaltada) irlandesa e britânica. Trindade de deusas associada
ao fogo e ao trabalho com metais, à poesia e com a maternidade e ao
nascimento. Como indivíduo, é filha de Daghda. Na Bretanha pré-
romana, era a deusa protetora da tribo Brigantes, e como tantas deusas
celtas, tem associações com rios. É preservada até hoje na mitologia cristã na figura de Santa Brígida.

Cailleach Beara (anciã de Beare). Irlandesa. Giganta associada às
montanhas. Ela traz no avental enormes rochas que acrescenta aos
locais montanhosos. É Padroeira do sudoeste de Munster. Também figura
em contos que descrevem um cavaleiro que é importunado por uma velha
para que se case com ela, e essa aceitação a transforma em uma bela
moça.

Cailleach Bheur (dama idosa da sociedade). Escocesa. Giganta
associada ao Inverno. Diz-se que ela é azul, e uma peculiaridade sua
é que emerge em Samhain como idosa, gradativamente regride em idade,
e desaparecem em Beltane sob a forma de uma bela e jovem donzela.

Cairbre. Irlandesa. Bardo divino, filho de Oghma e Etan. O poder de
sua eloqüência poética causou vergões no rosto de Breas, Rei da
Tuatha de Danaan, o que resultou na perda do trono por parte dele (os
reis devem perfeitos do ponto de vista físico), quando insultou
Cairbre.

Ceridwen. Galesa. Uma Deusa-caldeirão, associada com a
preparação de uma poção do Conhecimento que ela criou para beneficiar
seu filho, Afagddu. Quando o menino Gwion prova sem querer a poção,
ela o persegue em uma caçada de transformação que é uma descrição de
um renascimento iniciador. Veja também, Taliesin.

Cernunnos (o chifrudo, o cornudo) Gaulês. O Deus cornudo associado à
Caçada Selvagem. Senhor do mundo natural, da força animal e vegetal.
Ver também Gwynn, e Herne.

Conn. Irlandês. filho de Ler e irmão gêmeo de Fiachra. Ele, seu gêmeo e dois outros irmãos, Aedh e Finnguala, são transformados em cisnes falantes e que cantam, por uma madrasta ciumenta e despeitada, Aife. Passam muitos séculos sob esta forma, e finalmente são levados para a casa de um missionário cristão, que os prende com uma corrente de prata. Uma rainha irlandesa ouve falar nos extraordinários animais, e, ambicionando tê-los, tenta roubá-los. Na luta que se segue, a corrente se rompe, e eles se transformam em pilares de terra, representando corpos humanos com muitos séculos de idade.

Crearwy (luz, bela). Galesa. Filha predileta de Ceridwen, irmã de
Afagddu.

Credne (artesão). Irlandês. Um dos três Deuses – ferreiros. É um
artesão do metal trabalhado, em geral bronze, latão ou ouro. Os
outros são Goibhniu e Luchta.

Cruacha. Irlandesa, figura obscura, criada de Etain.

Cymeinfoll. Galesa. Guerreira que se diz dar à luz um guerreiro
inteiramente armado a cada seis semanas. Esposa de Llasar, o guardião
do Caldeirão da Regeneração.

Dagda (o bom deus). Irlandês. É conhecido como "o bom deus" não no sentido de bonzinho, mas de eficiente. Ele é pai de Brigit, Aengus e Ogma. É um deus de fertilidade que se deita com Morrigan nas vésperas da grande batalha de Moitura (quando os Tuatha enfrentam os Foimore). Possui um dos tesouros da Irlanda, o caldeirão inesgotável da abundância. Vários nomes e epítetos (Eochaid Ollathair, todo-paternal; Ruadh Rofhessa, mestre do conhecimento; Deirgderc, redeye, o sol) dele parecem ligá-lo a cultos a cavalos, ao fogo e ao conhecimento. É muitas vezes retratado como um ser rústico, bastante matreiro. Sua arma predileta é uma maça gigantesca, ou maul.

Danu. Irlandesa, celta e ariana em geral. Deusa dos rios, cujo nome
aparece em toda a Europa, protetora de muitos países e localidades
(por exemplo, o rio Don, o Rio Danúbio, a Dinamarca, etc. ) Nas ilhas
britânicas, era a Mestra dos Tuatha De Danaan, a raça de habitantes
divinos e semidivinos da Irlanda antes da vinda dos milésios.

Dioncecht. Irlandês. Deus intimamente associado à cura e
à emenda de males físicos.

Don. Galesa. Equivalente galês de Danu, ver acima. Parece ter havido
uma certa identificação de Don com Santa Ana nos tempos Medievais.

Donn (senhor, mestre). Irlandês. Deus do mundo subterrâneo, um dos
mortos. Associado territorialmente ao oeste de Munster. Os romanos o
reconheciam como um aspecto do seu Dis Pater. Devido a seus
atritutos, é uma figura silenciosa e solitária, bem incomum entre os
freqüentemente turbulentos e extrovertidos deuses irlandeses.

Efnisien (não pacífico) Galês. meio-irmão materno de Bendigeidfran
Bran, e irmão de Nisien. Briguento e antagonista por natureza, diz-se
que é capaz de causar antagonismo entre dois irmãos mesmo que se
adorem. responsável pelo terrível insulto a Branwen. É ele que
assassina o filho dela, Gwern no banquete de reconciliação. Quando os
irlandeses começam a usar o caldeirão da Regenerão para suplantar as
forças de Bran, ele sente remorso e, fingindo ser um guerreiro
irlandês morto, é jogado vivo no Caldeirão, quebrando-o e morrendo.

Eochaid (cavaleiro). Irlandês. Face dos primórdios mais antigos de
Daghda. Uma deidade solar associada com o relâmpago. Em geral
considerada caolha, e chamada por um epíteto de Daghda, Deirgderc,
olho vermelho, o sol.

Epona (cavalo divino). Gaulesa. Deidade feminina em geral associada à
soberania e ao governo. Seu aspecto é de um cavalo, e esses animais
são consagrados a ela.

Éire. Irlandesa. Uma das três deusas que são padroeiras de toda a
Irlanda (ver Banbha e Fotla). O nome dela originou o nome da Irlanda (Éire Land > Terra de Éire = Ireland). Éire é a esposa do rei Tuatha King MacGreine.

Etain. Irlandesa. Esposa de Mider, por Eochaid, mãe de Liban. Ela tem
associações com cavalos e pode ser um aspecto posterior de uma deusa
do sol primitiva.

Etan. Irlandesa. Às vezes chamada de Etain, conforme acima. Filha de
Dioncecht, e esposa de Oghma, é considerada Padroeira do artesanato e
dos artesãos.

Fand (lágrima, mas também Fann, pessoa fraca e desamparada).
Irlandesa. Esposa de Manannan e amante de Cuchullain. Seu nome
aparentemente deriva da mesma raiz ariana da qual provém a
palavra "Vênus".

Fiachra. Irlandês. Filho de Ler e irmão gêmeo de Conn, cuja história
ainda está para ser pesquisada.

Finnguala Irlandês. Filha de Ler, irmã de Aedh, Conn e Fiachra, e,
como eles, vítima de Aife.

Flidais (cervo). Irlandesa. Ártemis celta, caçadora associada com
a arte do arco e da flecha, a sacralidade das florestas e a vida
silvestre e selvagem que ali habitam, e com a perseguição. Mas ao
contrário de Ártemis, sua inclinação para o sexo e apetite sensuais
são legendários.

Fotla (mundo subterrâneo). Irlandesa. Uma das três deusas que
protegem a Irlanda. As outras são Banbha e Eriu. Fotla é esposa do
rei Tuatha Mac Ceacht.

Gilfaethwy. Galês. Irmão de Gwydion, seu destino é
determinado por seu desejo incontrolável por Goewin.

Goewin. Galesa. Aia de Math, e objeto dos desejos incontroláveis de
Gilfaethwy.

Goibhniu (ferreiro). Irlandês. Deus da arte da ourivesaria, um de uma
trindade (ver também Credne e Luchta), que além do seu ofício de
ferreiro também é conhecido como promotor do Fled Goibnenn, um
Banquete Sagrado. Associado, entre outras coisas, a preparação de
bebidas fermentadas, diz-se que formulou uma poção da imortalidade;
observe a similaridade com o Hefaistos/Vulcano greco-romano, um
ferreiro divino que também preparava cerveja. Seu nome preservou-se
em Abergavenny (rio de Goibhniu).

Gwydion. Galês. Equivalente Galês de Goibhniu. Em fontes galesas seu
palácio é a Via Láctea; era um mago de excelente reputação, e o tutor
e mentor de Llew.

Gwynn ap Nudd. (Sulista) Galês. Divindade ctônica, líder da Caça
Selvagem ao Cervo Branco. Corresponde de perto ao gaulês Cernunnos, e
ao britânico Herne. Também tem correspondências com o Galês
setentrinal Arawn.

Hafgan. Galês. Senhor de Annwyn, inimigo mortal de Arawn. Só pode ser
morto se for com um único golpe mortal. Um golpe de misericórdia em
seu corpo, quando mortalmente ferido, o faz reviver. Pwyll logra isso
quando vem em auxílio de Arawn, conforme se narra no Primeiro Ramo do
Mabinogi.

Hafren. Galês. Outra Deusa fluvial, protetora do rio Severn.

Ilbrech. Irlandês. Filho de Manannan, governa uma parte do condado
Donegal.

Ler. Irlandês. Deus do mar. Pai de Bran, Fiachra, Aedh, Manannan e
inúmeros outros.

Liban. Irlandês. Espírito aquático, filho de Eochaid, com Etain.

Llasar Llaes Gyfnewid. Galês. Marido de CyMideu Cymeinfoll, e guardião do
Caldeirão, depois, mais tarde tomado por Bran.

Llew Llaw Gyffes. Galês. No Mabinogion, é descrito como jovem que luta contra uma série de geasa (plural de geis = tabu, interdição) lançados por sua mãe, Arianrhod, e é ajudado por Gwydion. Posteriormente é gravemente ferido por circunstâncias resultantes da infidelidade de sua esposa Blodeuedd. Em tudo isso ele
demonstra uma ingenuidade bastante debilitante, e não aparece como líder de panteão.

Llyr. Galês. Equivalente Galês de Ler.

Luchta. Irlandês. Um de uma tríade de Deuses-Ferreiros, seu aspecto é
de artesão, mecânico e artífice. Os outros são Credne e Goibhniu.

Luchtigern. (senhor dos camundongos). Irlandês. Chefe dos camundongos
de Kilkenny, morto por Banghaisghidheach.

Lugh (luz, luminosidade). Irlandês. É o deus de muitos talentos. Especialmente hábil com a lança, foi um dos filhos do amor proibido de um jovem Tuatha com uma moça Foimore. Ao nascer, foi jogado ao mar e resgatado por Mannanan Mac Lir, que o levou para ser criado por Tailtui, sua mãe adotiva, que é homenageada no festival de Lughnasadh. Crescido, se tornou um guerreiro e lutou com os Tuatha, matando o foimoriano balor ao atirar sua lança em seu olho encantado. Balor era seu avô, o mesmo que o jogou no mar ainda bebê, por causa de uma profecia que afirmava que ele seria morto por seu neto. Lugh tem muitos epítetos e apelidos, entre os quais: Lamhfhada, braço-longo, referência a sua perícia no uso da lança ou da funda; Samildanach, extremamente hábil, que tem muitos talentos; Ildanach, vidente; e Maicnia, jovem guerreiro.

MacCeacht (Filho do Arado). Irlandês. Filho de Daghda, marido de
Fotla, soberano da Tuatha de Danaan.

MacCuill (filho do bosque de aveleiras). Irlandês. Filho de Daghda,
marido de Banbha, soberano da Tuatha de Danaan.

MacGreine (Filho do Sol). Irlandês. Filho de Daghda, marido de Eriu,
soberano da Tuatha de Danaan.

Macha (campo, planície). Irlandês. Um dos três aspectos de
Morrigan.

Maeve. Irlandês. Deusa da Guerra, divindade protetora da do Reino da
Irlanda e de Tara, o coração místico da ilha.

Manannan (o que vem do mar [ irlandês]. Irlandês. Filho de Ler, e
principal Deus do mar. Seu nome parece derivar de uma forma mais
antiga da Ilha de Man. Ele possui, entre outras coisas, o fabuloso saco da Garça-Azul, que contém todos os seus tesouros, inclusive a Linguagem. Como acontece com muitos deuses arianos do mar, ele se associa bem de
perto aos cavalos.

Maponus. Britânico. Senhor da poesia e da música; reverenciado
durante a ocupação romana da Grã-Bretanha.

Math. Galês. Tio de Llew. Protetor de Gwynedd, no norte de Gales. Ele
é considerado o sábio principal da Grã-Bretanha: incalculavelmente
idoso, com grandes poderes mágicos, e incomensuravelmente sábio.
Dizia-se que era capaz de ouvir qualquer coisa que se disseses na
presença da brisa mais suave; o vento levava as palavras até ele.

Mabon (filho, jovem). Galês. Deus associado à juventude, às vezes é
confundido com Pryderi. Seu nome completo é "Mabon Ap Modron", que
simplesmente significa "Filho da Mãe".

Manawydan. Galês. Equivalente galês de Manannan.

Mider (central). Irlandês. Seu nome deriva da raiz de "meio", e
implica julgamento ou negociação. Entre os membros da Tuatha De
Danaan, ele é um chefe, e conhecido por sua parcimônia e orgulho
desmedido.

Modron (mãe). Galesa, britânica e gaulesa. Muitas vezes confundida
com a Matrona romana, é a protetora de Marne in Gaul. Na Grã-
Bretanha, aparece sob a forma de uma lavadeira, e isso aparentemente
estabelece uma relação entre ela e Morrigan.

Morrigan (grande Rainha) Irlandesa. Trindade de Valquírias (ver Badb,
Macha, e Nemain), exaltadas no frenesi na batalha, caos e
carnificina. Ela/elas desempenham um papel fundamental, sendo as
Escolhedoras dos Mortos; selecionando, separando do corpo e guiando
para o além os espíritos dos guerreiros caídos nas batalhas. Ela,
porém, tem uma estreita associação com a água, em geral, e com os
rios em particular. Parece, sob este último aspecto, também escolher
os mortos, pois é vista por aqueles cujo destino é morrer em uma
batalha no futuro, como uma velha, lavando roupas ao lado de um rio.
Ver também Morgan le Fay, uma versão posterior.

Nechtain. Irlandês. Outro espírito aquático, está associado a um Poço sagrado dentro do qual vive o Salmão do Conhecimento. É intimamente associado com Daghda, e às vezes confundido com ele.

Nehalennia (timoneira). Galesa e belga. Primordialmente associada à
proteção de viajantes pelo mar. Os lugares onde seus templos ficam
sempre são litorâneos, e as inscrições que restam costumam louvá-la
por viagens bem-sucedidas, ou implorar a ela que proteja os viajantes
em novas viagens no futuro. É invariavelmente associada com um grande
cão que traz como companhia. Ocasionalmente é confundida com a deusa
romana Fortuna.Ver também a anglo-saxã Elen.

Nemain (frenesi, loucura.] Irlandesa. Um dos três aspectos de Morrigan.

Nemetona (a que vive no pomar/bosque sagrado). Gaulês. Uma deidade
continental reverenciada durante os tempos romanos; o nome dela pode
ser cognato da valquíria irlandesa Nemain, e de fato os romanos
parecem ter feito uma correlação entre ela e Marte.

Nisien (pacífico). Galês. Meio-irmão por parte de mãe de
Bendigeidfran (Bran) e irmão legítimo de Efnisien. Bem favorecido,
era um diplomata natural, de quem se dizia que era capaz de apaziguar
dois exércitos em batalha no ápice de susa fúria. Passou grande parte
do seu tempo reparando os danos produzidos por Efnisien.

Noudens. Britônico. Foi reverenciado durante os tempos de dominação romana. Esse nome tem a distinção nada invejável de ter sido tomado emprestado por H. P. Lovecraft para desempenhar um pequeno papel em seu famoso ciclo Cthulhu.

Nuada (fazedor ou pegador de nuvens]. Irlandês. Deus guerreiro, foi
duas vezes rei dos Tuatha De Danaan. Perdeu o posto quando sua
foi amputada em combate com os fomorianos; como os reis precisam ter
integridade física, ele não pôde retomar o reinado, até Dioncecht
confeccionar para ele uma mão de prata, ocasião na qual ele voltou
ao trono, substituindo Breas, que fora expulso.

Nudd. Galês. Outra forma de Nuada.

Oghma. Irlandês. Filho de Daghda, Deus guerreiro que está intimamente
ligado ao conhecimento, à magia, e à eloqüência. É o inventor da
escrita Ogham, a variedade de runas celtas; e notem bem, diz-se que
ele mesmo desenhou as letras como forma de codificação do
conhecimento – elas não lhe foram concedidas por visão mística.

Ogmios. Gaulês. Equivalente continental de Oghma, representado como
um velho careca levando um grupo satisfeito de seguidores por
correias ligadas a suas orelhas.

Pryderi (cuidado, consideração]. Gaulês. Filho de Pwyll, que sucede
em suas terras. Um demônio sem nome rapta-o quando menino, que, numa expedição pra roubar cavalos, deixa-o cair de volta ao mundo, ocasião em que leva um golpe do guardião dos cavalos. Observa a conexão eqüina com sua mãe, Rhiannon.

Pwyll (sabedoria, prudência). Galês. Senhor de Arberth. Pai de
Pryderi, marido de Rhiannon, parceiro de confiança de Arawn conforme
se relata no primeiro livro dos Mabinogi.

Rhiannon. Galesa. Esposa de Pwyll, mãe de Pryderi. Injustamente
acusada de ter matado seu filho recém-nascido (que fora raptado por
um demônio sem nome; ver acima]. Ela se vê obrigada a assumir o papel
de um cavalo até que o filho lhe é inesperadamente devolvido. É
considerada um aspecto da gaulesa Epona.

Rosmerta. Gaulês/Continental. Deusa celta cujo nome não chegou até
nós, exceto pelo nome latino que significa "Boa Provedora". É
essencialmente uma Deusa do sucesso e da prosperidade, sendo seu
principal atributo uma inesgotável Bolsa da Abundância.

Scathach (sombreada, escurecida] Irlandesa/Escocesa. "Senhora das
Sombras/ ou "da Ilha das Sombras". Trata-se de uma guerreira, com
associações adicionais com a ourivesaria e com a sabedoria oracular.
Reside em Albannach (Escócia), na ilha de Skye (Scaith) (conforme a
maioria das versões), e é mais conhecida como instrutora de CuChulainn nas artes do amor e da guerra.

Sequanna. Gaulesa; padroeira do rio Sena.

Silvanus. Espírito dos bosques associado aos parques, vilas e campos,
e antes associado à floresta além dos vilarejos, à mata virgem. É uma
deidade romana, mas como combinava com as idéias celtas costuma ser
combinado com outras deidades celtas com atributos semelhantes.
Observem bem uma diferença, porém: para o romano, a floresta era um
lugar que inspirava medo, uma terra de pesadelos, de caos, e assim o
Silvanus tinha para eles uma conotação sombria ou obscura; para os
celtas, porém, a floresta era o Lar, e como tal, não encerrava
mistérios nem causava medo.

Sinann. Irlandesa. Associada ao rio Shannon.

Sirona (estrela divina). Gaulesa. Divindade continental da cura e da fertilidade.

Tailltiu. Irlandesa. Deusa protetora da região Telltown de Ulster. Mãe adotiva de Lugh, e a ela é dedicado o festival de Lughnasadh.

Taliesin (fronte radiosa). Galês. Figura semi-mítica cuja vida se
entrelaçou profundamente com as divindades celtas. Ele aparentemente
viveu no século VI DC, sendo visto como o primeiro bardo, ou poeta de
seu ou qualquer outro tempo. Ainda existe um livro de sua autoria,
escrito no século 13; várias obras dentro dele são consideradas
genuínas. Ele aparece em muitos contos, mas se destaca entre eles a
história que ele começou como menino Gwion, que recebeu de Ceridwen a
incumbência de vigiar o caldeirão no qual ela preparava uma poção do
conhecimento, e que sem permissão a provou, foi perseguido por ela
numa caçada que envolveu muitas metamorfoses, e afinal foi engolido
por ela, para renascer nove meses depois como o divino bardo Taliesin.

Taranis (trovão). Gaulês/continental.

Teutates (o que pretence à tribo). Gaulês/Continental. Outra deidade
romana-gaulesa, comentada pelo autor romano Lucan, Teutates parece
ter sido um Deus da Guerra, mas também está ligado de formas obscuras
aos Caldeirões. O nome simplesmente significa "Tribo" ou "Nação". (ver o irlandês Tuatha)

Tuireann. Irlandês. Filho de Oghma e Etan, marido de Brigit.

Uathach (espectral).Irlandês/ escocês. Filha de Scathach e, como ela,
amante de CuChulainn.


_________________


Meow!
Ver perfil do usuário
boua...mas muitos só diz ...de tal....marido de tal...mulher de tal...filho de tal

Ver perfil do usuário
Uau adorei eu como já disse gosto bastante do panteão celta, mas nunca tinha encontrado um texto tao completo (se calhar n soube procurar)...obrigada

Ver perfil do usuário
Podes por o me mandar a lista completa se a tiveres?

Ver perfil do usuário
a itologia celta tem muitissimos deuses...cada tribo até acho que tinha um deus proprio ou algo assim do genero

Ver perfil do usuário
Sim acho que a 3 se n me engano...mas o problema e que n existem muitos testos sobre eles...

Ver perfil do usuário
Obrigada pelo tópico!
o panteão celta é dos que mais gosto e estou a gostar de ler!
vou ver se depois ponho aqui uns textos mais detalhados sobre alguns deuses, como fiz para Brighid!

Ver perfil do usuário
O panteão celta tem algumas histórias interessantes. No entanto, prefiro mil vezes o panteão nórdico Surprised Não sei porquê.
Talvez por me fazer confusão aquele trio de Morrigan o.o Se alguém me explicar talvez faça mais sentido Mad
Uma das minhas deusas preferidas é a Arianrhod e a Blodeuedd, e a Cerridwen... E o Cernunnos o.o Mas afinal... Acho que gosto da maioria, já dá para ver haha
Obrigada por este post interessante ^^


_________________
-Diana.

Paganismo Livre: Paz, Luz e Amor
Ver perfil do usuário http://paganismolivre.blogspot.pt
também gosto imenso do penteão nordico...

Ver perfil do usuário
Inicialmente este não era o meu panteão preferido. Gostava mais de outros panteões como o Grego, o Romano, o Egípcio e mais tarde o Lusitano. Mas desde que vim morar para o UK que este panteão me tem despertado mais a atenção. Já pensei se não tem a ver com o local onde me encontro, quando estou em Portugal prefiro os panteões mais a Sul, quando estou no UK identifico-me mais com os Celtas e Nórdicos. Acho que se fosse morar para a Índia os meus gostos voltavam a alterar-se.


_________________
http://unicorniodadeusa.blogspot.co.uk/
Sê a mudança que queres ver no mundo!
Ver perfil do usuário http://unicorniodadeusa.blogspot.co.uk/
Eu n sei porque simplesmente gosto..

Ver perfil do usuário
eu desde pequeno que gosto da mitologia nordica, porque não sei...principalmente o deus Thor...

Ver perfil do usuário
Sempre foi um panteão que me disse imenso. Obrigada pelo tópico!!

Ver perfil do usuário
Morrigan

Morrigan é considerada a deusa celta da morte e da destruição. Representada com armaduras e armas podia ser encontrada nos campos de batalha, soprando a sua fúria aos soldados na forma de corvo ou de gralha-preta. O seu nome é traduzido como Grande Rainha ou Rainha Espectral e por vezes aparece escrito como Morrigu, Carrie ou Carrigan.
É uma divindade associada à renovação, ao amor e ao sexo. Uma associação coerente com a ideia que os celtas tinham da morte e da vida, partes de uma mesma realidade. Em muitas obras é mencionada como parte de uma tríade de deusas formadas por Badb e Macha e, em outras ocasiões, aparece como regente de um trio ao qual, junto às mencionadas, se acrescenta Nemain, fada ou espirito do frenesim guerreiro.
Como resultado, é muito difícil de se aprofundar a natureza desta deusa, em parte devido à importância da sua função dentro do panteão mitológico celta e em parte por causa da complexidade dos estudos das fontes celtas. No entanto, é tal a importância desta deusa para a Wicca e para o reconstitucionismo celta, correntes muito populares no paganismo atual, que não podíamos evitar a responsabilidade de falar dela e tentar satisfazer a curiosidade de todos os interessados nas tradições celtas. Mais ainda, em datas como o Samhain, a festa celta dos mortos e da renovação. Não nos podemos esquecer que, tal como ocorre com Morrigan, Samhain é uma celebração da morte, mas também do começo de um novo ciclo.
Mas centremo-nos em comentar alguns dos problemas encontrados ao investigar as origens e características desta deusa. Em primeiro lugar, devemos ter em conta a dimensão da cultura celta. Falamos de um período de tempo que abarca mil anos, desde o seculo V a.C. até ao século V d.C. Estas datas não são totalmente corretas e devem ser apenas tomadas como referência académica. Assume-se que é a partir do século V a.C. porque é nesse século que Heródoto se refere explicitamente a eles. E considera-se que o final da cultura celta chega no século V da nossa era pois é a época em que a Irlanda foi cristianizada.
No entanto, a cultura celta existia com anterioridade à consignação escrita dos gregos. Inclusivamente, antes ainda de serem considerados como “celtas” (keltoi, gente culta). Isto obrigou o âmbito académico a criar o termo de “cultura proto-celta”, cujas origens estariam nas migrações dos povos indo-europeus durante a idade do ferro, para se referirem à cultura celta anterior ao século V a.C.
No que diz respeito ao final da cultura celta com a cristianização, devemos reconhecer que a mudança de religião implicou uma transformação importante das ideias celtas. Mas as suas tradições perduraram durante muitos mais séculos, tal como demonstra a compilação das lendas celtas vários séculos depois, a estrutura social e o direito da Irlanda durante a idade média.
Outro dos problemas é a heterogénea variedade de povos que compunham o mosaico cultural celta: celtiberos, britânicos, galeses ou helvécios são os mais conhecidos. Povos que se expandirão por grande parte da Europa e que tinham rasgos culturais, religiosos e linguísticos comuns, mas também importantes diferenças e traços pessoais próprios. Até há pouco tempo, considerava-se que as divindades celtas tinham adquirindo distintos nomes segundo a região. Por exemplo, Epona e Rhiannon eram nomes que faziam referência à mesma divindade. Hoje em dia sabe-se que Epona é mais uma deusa galaico-romana que celta, sendo o equivalente à deusa galesa Rhiannon, à Edain na Irlanda, que para os galaicos era mais uma ninfa aquática do que uma deusa, o que levou à necessidade de considerar os diferentes panteões em separado e estudar as divindades como personalidades únicas e não nomes ou apelidos segundo a região.
Dito de outra maneira: mesmo que duas divindades celtas pareçam a mesma mas com nomes distinto, tudo indica que os celtas as consideravam diferentes. No caso de um celta galês conhecesse o culto a Epona, não a consideraria como um nome da própria Rhiannon, mas sim como uma divindade diferente. Isto implica que, as funções das divindades estão associadas à terra, ao contexto fronteiriço. Rhiannon protegeria os cavalos nas terras galesas, Epona na Gália, estendendo-se depois o seu culto desde Roma até ao Danúbio, chegando a Espanha, sobretudo nas terras do Douro e até alguns pontos da Bretanha. Mas, Rhiannon e Epona sempre foram consideradas divindades independentes.
Isto supõe também que a mera conservação do nome não significa aluir à mesma divindade. Ou seja, as divindades celtas são inseparáveis do seu contexto cultural, Morrigan não significa o mesmo para um celta irlandês que para um galês. Com efeito, cometemos um erro ao falar de cultura celta no singular, pois seria mais acertado falar de culturas celtas. Povos com a mesma origem e muitos traços comuns mas também com importantes diferenças, inclusive a nível religioso.
O terceiro problema que encontramos ao indagar sobre as divindades celtas, e em concreto com Morrigan, é que os celtas não deixaram nada escrito. As fontes que temos são umas vagas referências helénicas, as descrições romanas e os textos monásticos escritos a partir do século V d.C. Ao tratar-se de referências escritas de uma perspetiva cultural distinta, encontram-se muitos erros interpretativos. Por exemplo, os romanos identificaram muitas divindades celtas com os seus próprios deuses, o que deu origem à visão errónea de um panteão celta coeso com base num modelo similar ao greco-romano, algo que a arqueologia acabou por desmistificar. Além disso, nem todas as identificações eram as mais corretas. No caso dos textos cristãos, a influência das suas próprias crenças e a visão depreciativa que faziam das Antigas Tradições, condicionavam muito os relatos. De facto, em numerosos dicionários medievais, Morrigam aparece representada como um espectro. Numa tradução do livro de Isaías, diz-se que uma Lamia, nome latino de Lilith, é um mostro em forma feminina, uma morrigan.
O Dicionário de Cormac, século IX, identifica gudemain com morrigna, dando-lhe a ambos o significado de espectros. Anteriormente, no século VIII, o dicionário O’Mulconry faz referência a Macha como parte das morrigna, o que supõe que morrigan era considerada como uma classe ou categoria e não como uma divindade individual. De facto, não faltavam obras que falam das morrigan em sua referência a Macha, Badb e Nemain.
Em Leabhar Ghabhála Érenn, o Ciclo das Invasões, identifica-se Morrigan com Anu. “Ernnmass tinha outras três filhas Badb Chatha, Macha e Morrigan, cujo outro nome era Anu” (Leabhar, 64). Esta divindade era considerada a geradora dos deuses”.
De Ernnmasss não se sabe nada, nem sequer se pode saber se está correto considera-la uma como uma deusa, ainda que pareça o mais acertado, ao tratar-se da mãe de duas tríades, a formada por Ériu (terra, de onde provinha o nome da Irlanda), Banba e Flóda, e por Macha, Badb e Morrigan. É muito provável que estas duas tríades fossem equivalentes. Pelo menos assim foram consideradas desde o século XVII, graças aos trabalhos do sacerdote, bardo e historiador irlandês Seathrún Céitinn, mais conhecido como Geoffrey Keating. De toda a forma, podemos estar seguros de que Ernnmmass pertencia aos Thuatha Dé Danann, quinto grupo de habitantes da Antiga Irlanda, o que implica que Morrigan e as suas irmãs também deveriam pertencer a este grupo.
Os Thuatha Dé Danann, ou filhos da Dana, são sobreviventes do dilúvio que se assentaram na Irlanda após vencer os Fir Bolg. Mas logo seriam explusos pelos Mil de Espanha. As lendas contam que os Thuatha Dé Danann nunca chegaram a sair, apenas que deixaram de ser visíveis para os Homens, pelo que continuariam a viver na Irlanda mas ocultos aos olhos humanos, bem como num planto distinto ao nosso ou no interior da terra.
Nesses relatos, os historiadores cristãos introduziram elementos da sua própria mitologia e, em muitos casos, convertiam em heróis e reis os antigos deuses ou geravam estranhas genealogias para fazê-las coincidir com a sua cronologia do mundo. Em especial com o mito – embora que universal – do dilúvio. Noutras fontes, Macha é identificada como uma das filhas de Parthlón, o líder do primeiro assentamento irlandês depois do dilúvio, que foi morto com o resto do seu povo (só sobreviveu um) pela grande praga muito antes da chegada dos Thuatha Dé Danann.
Apreciamos com facilidade as dificuldades que dá estabelecer uma única descrição para as divindades celtas, considerando a pluralidade dos povos celtas, pois as fontes são, por vezes, contraditórias e sempre filtradas pela cultura de quem as escreveu.
Apesar das dificuldades, podemos tentar chegar a algumas conclusões baseando-nos nos aspetos comuns das diferentes narrativas e a comparação com outras divindades. Em especial, é interessante a identificação que alguns relatos fizeram de Morrigan com Anu ou Anan. Segundo o dicionário de Cormac, tratava-se da mater deorum, a mãe dos deuses. Portanto, estamos diante de uma antiquíssima divindade, cujo papel na mitologia celta tem um extraordinário paralelismo com a Deusa Devi, esposa de Siva, que entre os muitos aspetos encontramos a doce Uma, a guerreira Durga e a temível Kali.
Numa opinião pessoal, Morrigan é a evolução cultural de uma divindade muito mais antiga, vinculada à Terra e aos seus ciclos de morte e renovação. Esta divindade mítica, cujo nome não nos chegou e da qual poderiam derivar outras divindades femininas, poderíamos denomina-la como Grande Mãe. Esta deusa, e na cultura celta, adquire diferentes aspetos relacionados com as suas funções, vinculando-se à guerra pois a cultura celta é uma cultura guerreira além de agrícola.
Estes aspetos da deusa adquirem com o tempo personalidade própria, relacionam-se com ouras divindades e assentam-se em certas zonas. Por exemplo, Macha está intimamente ligada a Armagh e Emain Macha com o Condado de Armagh, mítica capital de Ulster.
A terceira transformação da tríade deve-se aos cristãos, que as associam com a sua visão tétrica da morte. Morrigan passa a converter-se num tipo de espectro feminino ou na Rainha dos Espectros.
Na atualidade, está a ser recuperada a sua figura como divindade tripla, associada à lua e às manifestações de donzela, mãe e anciã, ainda que neste caso concreto é melhor denomina-la de viúva. A sua característica dupla, morte e ressurreição, guerra e sexo, se conservaria em todas as manifestações. Muitos identificam Morrigan com Hécate.
Mas consideramos que é melhor estudar as divindades em separado, como personalidades independentes, e ainda mais quando pertencem a panteões distintos. Mais que identifica-las ou usar expressões como “Morrigan é Hécate dos celtas”, ou vice-versa, é preferível falar de paralelismos, ou divindades cognatus, divindades que teriam um passado comum, estariam relacionadas na sua natureza ou desempenham funções análogas. Em todo o caso, a comparação entre ambas é a mais acertada, parecendo até que sofreram uma evolução similar.
Hécate era representada nas primeiras épocas helénicas como uma única deusa e apenas mais tarde adquire o carácter triplo, mas conservando em todas as suas manifestações essa dualidade mágica que tanto a caracteriza. Além disso, encontramos nas tradições gregas numerosos epítetos que parecem fazer referência a formas de nomear a divindade em relação à sua função ou a alguma das suas caraterísticas: Ctonia, da Terra: Enodia, dos caminhos; Crateis, a poderosa; Soteira, salvadora; ou Phosphoros, a que traz a luz, ilumina, dá a luz; entre outros. Algo que parece que também pode ter ocorrido com Morrigan e a sua tríade, em muitos sentidos equivalente à encabeçada por Ériu, la Terra, Irlanda.
É provável que jamais alcançaremos uma única explicação fiável de quem era Morrigan e que papel desempenhou nos cultos celtas. Mas de uma coisa podemos estar seguros, como senhora da morte e da renovação, ressurge com força no século XXI pela mão de diferentes correntes pagãs e de todos aqueles que, mesmo não sendo religiosos nem crendo nas Antigas Tradições, defendem a recuperação da herança cultural dos nossos antepassados. Um património cultural que jamais se devia ter perdido e que só agora, mil anos mais tarde, começamos a tentar resgatar do esquecimento.

Macha

Macha é uma antiga divindade irlandesa associada à guerra, aos cavalos e à soberania, em especial pelo seu vínculo com lugares como o Condado de Armagh, onde foram coroados alguns dos míticos reis de Ulster.
Faz parte da tríade de Morrigan e, segundo os relatos, aparece como filha de Partholón, rei do primeiro povo pós-diluviano que se fixa na Irlanda, ou filha da deusa Ernmas dos Thuatha Dé Danann, pertencente ao ciclo da quinta invasão.
As narrações da sua vida são também muito diversas, ao ponto que parecem referir-se a identidades distintas que partilhavam o mesmo nome. Isto pode-se dever, em parte, a que uma grande parte dos relatos sobre Macha foram escritos por monges cristãos, que se esforçaram por conciliar a mitologia celta irlandesa com a cronologia bíblica. Assim como transformaram muitas divindades em reis ou heróis.
Encontramos uma Macha esposa de Nemed, líder da segunda povoação da Irlanda. Noutras lendas, aparece como Macha Mong Ruad, Macha do cabelo vermelho, filha de Áed Rúad, um dos antigos reis da Irlanda.
Outro relato, muito popular, conta como a deusa Macha, interessada num mortal, o agricultor Cruinniuc, chega a casa deste para matar a sua esposa e começa a agir como sua mulher. Tudo corria bem e a fortuna do homem não parava de crescer até que Cruinniuc decidiu ir a um festival organizado pelo rei. Macha o adverteu que não falasse na sua existência, mas o homem gabou-se dizendo que a sua esposa podia correr mais rápido que os cavalos do rei. Ao ouvir isto o rei exigiu que Macha o demonstrasse e ela, apesar de estar grávida, competiu com os cavalos e venceu-os. Mas, devido ao esforço, o parto foi adiantado e nasceram dois gémeos ao mesmo tempo. Em honra a eles, a capital de Ulster passou a chamar-se Emain Macha, os gémeos de Macha. A deusa, chateada com os homens de Ulster, os amaldiçoou para que sofressem as dores do parto nos momentos de maior necessidade.

Nemain

O seu nome significa venenosa ou terrível, e encarna o espirito selvagem ou frenesim guerreiro. Como divindade dos Thuatha Dé Danann, é conhecida como esposa de Nuada, o de braço de prata.
Na sua origem, Nuada e Nemain eram deuses, no entanto, as narrações cristianizadas das suas lendas apresenta-os como reis. Tanto Nemain como o seu marido morreram ao contemplar o olho de Balor durante a segunda batalha de Magh Tuireadh.
Alguns mitos apresentam-na como parte de uma tríade governada por Morrigan. A tríade seria formada por Macha, Badb e a própria Nemain, que obedeceriam a Morrigan. A morte de Nemain durante a segunda batalhar de Magh Tuireadh implicou que a tríade conhecida desde esse momento passasse a implicar a própria Morrigan.

Badb

Etimologicamente Badb significa corvo e esta era a forma com que a divindade aparecia nas batalhas. Por vezes também podia aparecer com a figura de um lobo. Com frequência, causava medo e confusão entre os guerreiros a fim de inclinar a balança da batalha segundo os seus desejos. Também se diz que aparecia para anunciar a morte de um nobre ou justos antes da batalha para avisar da crueldade da mesma.
Inicialmente tudo indica que se tratava de um dos nomes dado a Morrigan. Mas vários relatos nos falam dela como uma divindade distinta. O seu parentesco não é muito bem conhecido, pois nuns relatos aparece como irmã de Morrigan e Macha, assim como do trio de divindade irlandesas encabeçado por Ériu, mas noutros se identifica como filha de um druida e sua esposa.
Em vários relatos aparece referida como a esposa do deus da guerra Neit. Noutras lendas é a esposa do rei Tethra, se bem que estas últimas referências são menos frequentes.


Texto retirado da revista "Ser Pagano" nº 2 http://issuu.com/serpagano/docs/revista_octubre_n_2

Ver perfil do usuário
Obrigada Foxglove :3 A minha maior confusão é sempre o conceito de deusa tríplice. É algo que não me entra na cabeça :s


_________________
-Diana.

Paganismo Livre: Paz, Luz e Amor
Ver perfil do usuário http://paganismolivre.blogspot.pt






Ver perfil do usuário

Conteúdo patrocinado


Ver o tópico anterior Ver o tópico seguinte Voltar ao Topo  Mensagem [Página 1 de 1]

Permissão deste fórum:
Você não pode responder aos tópicos neste fórum