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Deusa Brighid

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1 Deusa Brighid em Qua Jan 23, 2013 5:15 am

Como estamos perto do Imbolc decidi pôr aqui um artigo que achei bastante interessante sobre a Deusa Brighid do panteão celta, fortemente relacionada com o Imboc.
o artigo foi retirado da revista "Ser Pagano" volume 3, que podem consultar aqui: http://issuu.com/serpagano/docs/spdi3. A revista está em espanhol e eu traduzi este artigo por isso peço desculpa por algum eventual erro mas fiz o meu melhor e penso que se percebe bem (só tive um semestre de espanhol Razz ). espero que gostem!


Brighid
A Portadora de Luz

Crê-se que o nome Brighid provem de breo-aigit “lança ardente”, mas o mais provável é que deriva da raiz brig “exaltado ou fulgurante”, muito frequentemente usado na toponímia e nomes tribais celtas.

Também é conhecida como Brigit, Bride, Brigantia, Brígida ou Briginda pelos gauleses, sendo conhecida pelos romanos por Minerva, a Atenas grega, deusas com funções muito parecidas e aparentemente incorporadas no mesmo conceito de estado elevado, tanto físico como psicológico.

Na mitologia irlandesa, Brighid era filha do deus Dagda ou Daghdha “o bom deus”, pai dos Tuatha de Danann. Conta-se que nasceu de uma faísca gerada durante o sonho do seu pai no instante em que a noite se tornava dia. Existem muitas lendas que têm esta deusa como protagonista, como a que conta como a deusa estendeu o seu manto verde sobre as terras da sua amada Irlanda, convertendo-a na “Ilha Esmeralda”.

Algumas lendas atribuem-na ao nascimento das suas duas irmãs, tendo-se dividindo a si mesma, compartilhando o nome e juntas completavam-se com diferentes atributos, as três caras da mesma deusa. Outra lenda conta que teve duas irmãs que nasceram depois de si e que se chamavam também Brighid, mas todas tinham características distintas.
Tais qualidades fizeram com que tenha sido venerada pelos povos celtas como uma deusa tríplice que mostrava a plenitude dos três aspectos arquetípicos femininos: a jovem donzela, a mulher madura/mãe e a sábia anciã.

Sendo Brighid especialista em poesia e em conhecimentos arcanos, as suas irmãs associaram-se às artes curativas e ao artesanato. No entanto, como ainda se lhe atribuem mais dons, a diversidade dos seus atributos dariam para conceder mais “caras” a esta deusa multifacetada, entre os quais se destaca o seu caracter guerreiro, como acontece também com outras deusas celtas. Brighid, neste caso, não está associada à guerra em si, mas sim à protecção dos inocentes.

Segundo uma das lendas, conta-se que nasceu com uma chama sobre a sua cabeça, que a conectava directamente com a energia do universo.

Talvez como forma de representar essa conexão ou inspiração divina, motivo pelo qual se identifica com a luz, carrega esse fogo. Ela é o fogo das fogueiras, do sol e do interior da Terra. Representa a geração de vida; como os raios de sol que favorecem o crescimento e despertam das forças adormecidas e submersas, ela faz com que o tempo seja cada vez mais temperado, assistindo e estimulando assim a vida a ressurgir na Primavera, ajudando desta forma o trabalho humano de cultivo dos campos e na sua relação com a Natureza.

Como portadora da vida e da transformação, Brighid é quem bendiz os fogos do lar, das forjas e da chama que arde nos corações dos bardos e dos poetas. É a “boa mãe”, a que providencia conhecimento no interior, que ampara, ajuda e inspira nas tarefas criativas, tanto nas intelectuais como nas espirituais, sem esqueceras puramente materiais.

Ela é a inspiração que se esconde atrás da adivinhação e da profecia. Patrona das boas culturas, da criação de animais domésticos, das artes (tecelões, ferreiros, …) e das mulheres, as quais a invocam na hora o parto, para receber o seu poder curativo em tempos de enfermidade, e sempre que necessitam de protecção.

Existem muitas tradições que falam do seu poder curativo, sendo que uma explica como a deusa teria entrelaçado fios curativos no primeiro pano feito na Irlanda, com o qual posteriormente se confecionou um manto com o dom de curar quem se cobrisse com ele. Mas a mais conhecida é a que a relaciona com os poços sagrados da Irlanda. Poços de águas mágicas que teriam a capacidade não só de curar as doenças como também de devolver a visão aos cegos, cicatrizar as feridas e devolver a mobilidade aos inválidos.

O seu culto, tao extenso e enraizado, esteve em risco de ser eliminado quando os territórios começaram a ser evangelizados. No entanto, estava tao arraigado na vida espiritual e quotidiana que por fim, perante a impossibilidade de ser eliminado, foi cristianizado.

O culto de Brighid, associado às chamas sagradas perpétuas, é uma característica da espiritualidade indo-europeia pré-cristã. A tradição conta que era guardada por 19 mulheres, 19 sacerdotisas femininas (posteriormente 19 monjas) que guardavam a chama sagrada em turnos e a mantinham acesa em guardas cíclicas de 20 dias (no 20º dia de cada ciclo era a própria Brighid quem guardava a sua própria chama fazendo com que esta se perpetuasse) na “Casa do Fogo” no santuário de Kildare.
O templo dos fogos sagrados era exclusivamente para o culto feminino, pelo que estava proibido o acesso ao género masculino, sob pena das mais diversas ameaças, entre elas a morte.
Gerald de Gales (1146-1223), arquidiácono de Brecon e cronista da época, mencionava nas suas escritas: “A chama sagrada em Kildare estava rodeada por uma cerca que nenhum homem devia cruzar. Diz-se que os homens que tentaram cruzar a cerca foram amaldiçoados com a loucura, morte ou impotência”.

Após de se converter Brighid na Santa Brígida, atribuindo-lhe os mesmos dons, conservou-se o culto de origem protocelta até que em 1220 o arcebispo de Dublin o considerou uma adoração pagã e fez crer que seria necessária a eliminação desta deusa/santa, como deixou escrito “para eliminar todas as superstições”, ordenou que o fogo fosse extinto. No entanto, a chama não tardou a ser acesa pelo povo local e foi finalmente extinta na Reforma promulgada por Henrique VIII.

Na década de 1960, devido à modernização do Concílio Vaticano II, declarou-se que não havia provas suficientes da santidade de Brígida e assim a campanha gradual da igreja contra Brighid teve por fim êxito. No entanto, a “santa” continua a ser a padroeira da Irlanda e a personagem mais querida, depois de são Patrício, também padroeiro da ilha esmeralda.

Apenas em 1993 a chama voltou a ser acesa em Kildare (na inauguração de uma conferência chamada “Brigid: mulher profetisa, a Terra, Acção pela Paz”), pela Irmã María Teresa Cullen, na altura líder das Irmãs Brigidinas, que guardam a chama perpétua até hoje.


Representação do fogo sagrada na praça de Kildare - http://www.kildare.ie/kildareheritage/wp-content/uploads/2009/09/Kildare-Town-Heritage-Centre.JPG

Catedral de Santa Brígida em Kildare - http://www.kildare.ie/kildareheritage/wp-content/uploads/2009/09/St.Brigids-Cathedral-Kildare-Town.jpg

Poço de Santa Brígida em Kildare - http://www.kildare.ie/kildareheritage/_test33/wp-content/uploads/2009/09/brigids-well1.jpg

Templo do Fogo de Santa Brígida em Kildare - http://www.kildare.ie/kildareheritage/wp-content/uploads/2009/09/fire-temple.bmp

Nota: no site onde retirei estas imagens, na descrição da última diz "No lado norte da Catedral estão as fundações restauradas de um antigo templo do fogo. Um pequeno fogo é frequentemente aceso no templo do fogo para rituais no dia de Santa Brígida, no dia 1 de Fevereiro. ". Como se pode ver até o dia de Santa Brígida é festejado no dia do Imbolc e acendendo um fogo, como seria a tradição prestada à deusa Brighid.

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2 Re: Deusa Brighid em Qui Jan 24, 2013 3:05 pm

Aredhel

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Sempre tive muita curiosidade acerca da deusa Brighid, obrigada por esta perola!!

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3 Re: Deusa Brighid em Qui Jan 24, 2013 5:15 pm

Concordo com a Kyoko é uma Deusa que gosto bastante e que está representada no meu tarot na carta do rei de paus. Só por isso podemos ter ideia do seu poder e da sua ligação ao elemento fogo. Além disso no curso de bardo é-nos ensinado um ritual de protecção do lar dirigido à Deusa Brighid. Engraçado que o fiz em Portugal quando recebi a lição dessa semana e depois fi-lo aqui em Londres mas apenas de memória porque não tinha cá essas primeiras lições e não sei se foi por estar em terras celtas (ou mais perto da sua terra natal), senti uma ligação mais forte com a Deusa.

É de facto uma Deusa bastante celebrada durante Imbolc, por isso este tópico veio de todo no tempo certo uma vez que nos estamos a aproximar da data.


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4 Re: Deusa Brighid em Sex Jan 25, 2013 11:16 am

Muito interessante, deu para aprender umas quantas coisas. E mais uma vez é triste que a Igreja Cristã tente sempre "exterminar" cultos e tradições que estão tão enraizados...

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5 Re: Deusa Brighid em Sex Jan 25, 2013 12:07 pm

perfeito!!!!!! adorei muito bom! embora não goste muito desse panteão sempre é otimo saber mais

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6 Re: Deusa Brighid em Seg Mar 11, 2013 3:32 pm

Gostei muito desse Artigo!
Brigit é uma Deusa bastante cultuada pelos Pagãos nos dias de hoje.

Se me permite, quero só acrescentar uma foto de uma Cruz de Brigit, é um símbolo dela legal pra quem a cultua ter:

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7 Re: Deusa Brighid em Ter Mar 12, 2013 1:49 pm

Obrigada pela imagem!
é isso mesmo, a "estrela" que representa Brighid, muito usada em rituais dedicados a ela!
na minha opinião é um símbolo bem bonito, e facil de fazer artesanalmente!

(niuo473)

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